Filha: Oi mãe, acabei de deixar as crianças na escola. Tô louca pra comer aquele bolo de fubá da senhora. A senhora faz pra mim?
Dona Maria: Oi filha, então vou bater a massa. Também vou preparar aquele “cafezinho” forte, do jeito que você gosta. Escuta: você já levou as crianças para a escola?
Filha: Levei mãe. Tô chegando aí.
Passados 20 minutos, a filha chega a casa mãe.
Filha: Oi, Mãe (beijinhos e abraço). E o bolo, ta pronto?
Dona Maria: Ainda está no forno. Escuta: e as crianças, não vão pra escola?
O esquecimento de Dona Maria ilustra uma situação bastante comum, vivenciada na melhor idade. Ao repetir duas ou três vezes a mesma pergunta, o idoso expressa a dificuldade de guardar fatos recentes.
Esta pequena inconveniência não se trata do sintoma de uma doença degenerativa. A falha da memória em idosos saudáveis faz parte do envelhecimento.
Segundo Benito Damasceno, professor de neuropsicologia e pesquisador da memória na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, “Para que aprendamos uma nova habilidade ou realizemos uma nova tarefa, nosso cérebro tem de fazer novas conexões, e isto implica que muitas conexões antigas tenham que ser desativadas. Se não fosse assim, as conexões antigas iriam interferir nas novas e não conseguiríamos aprender ou realizar qualquer tarefa adequadamente, com agilidade e precisão”.
A aposentada Maria Ribeiro de Carvalho notou uma mudança significativa na sua a na sua capacidade de lembrar dos fatos. "Às vezes tinha dificuldade de lembrar alguma coisa, mas não era freqüente. Depois dos 70 anos, minha memória ficou péssima. Às vezes quero chamar uma das minhas filhas ou netos e custo a lembrar o nome deles. Eles ficam com muito medo porque se acendo um fogo posso esquecer de desligar e causar algum acidente", explica.
A boa notícia, é que, segundo especialistas, o esquecimento na terceira idade por ser tratado de forma simples, sem a necessidade do uso de medicamentos. Para muitos, o melhor remédio para a memória é colocá-la para trabalhar.
Para Ivan Iziqueredo, neurocientista argentino naturalizado brasileiro Ivan Izquierdo, autor dos livros "Questões sobre Memória" e "A Arte de Esquecer - Cérebro, Memória e Esquecimento", a leitura é o melhor meio para desenvolver a memória, pois é a única atividade que estimula todas as suas formas ao mesmo tempo. “No momento em que a pessoa terminou de ler a palavra "árvore", em centésimos de segundo passam pela sua mente todas as árvores que ela conheceu na vida. Tudo isso inconscientemente".
Iziqueredo faz ainda um importante alerta: pessoas que desenvolvem constantemente atividade intelectual têm menor chance de apresentar distúrbios como o mal de Alzheimer. "Mesmo nos portadores, a manifestação da doença demora mais e, quando aparece, tem menor gravidade".
Para a pesquisadora Ana Alvarez, "Antes, as pessoas encaravam com mais normalidade a perda de memória decorrente da idade. Hoje, da mesma forma que há uma frenética busca pela juventude do corpo, há também uma procura preventiva por exercícios para conservar a mente".
Se você já entrou para o time da melhor idade e leu este artigo de ponta a ponta, acabou de realizar um ótimo exercício para a sua memória. Continue assim!
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