Não é por acaso que a dança é uma das práticas favoritas da Melhor Idade. Além de constituir uma excelente atividade física, que contribui a manter o bom estado dos músculos e dos ossos, a dança é a aliada número 1 da sociabilidade, da descontração e da amizade.
Segundo os pesquisadores Adriano Volnei Zago e Aline Soares da Silva da Universidade de São Paulo/USP - "O Baile da Terceira Idade permite estabelecer um diálogo entre os idosos, constituindo-se como uma das formas de representação da sociabilidade dos idosos na vida urbana (...) O grande fator motivador dos idosos para irem ao baile é o combate à solidão. Muitos deles, por causa da viuvez ou da separação/divórcio, sentiram-se necessitados de novas experiências de relacionamentos, que perceberam poder encontrar (e de fato encontram) nos salões de baile da cidade”.
Geraldo Alves da Silva, eleito ontem, o Galã da Terceira Idade de São Paulo, em 2005, fala da satisfação encontrada na dança por ele e por sua esposa, a boliviana Trindade Alacoin. “Aqui nos sentimos bem e podemos fazer o que mais gostamos, dançar. Nunca perdemos os bailes”
As amigas Vilma Walter de Freitas, de 73 anos, e Wanda Bezerra Grijó, de 75, casadas, com filhos e netos, também não perdem um baile. "Eu gosto de ritmos alegres, um sambão mesmo", diz Vilma. "Eu prefiro bolero ou fox", completa Wanda. As amigas contam que mesmo quando não há programações dançantes no fim de semana, elas não desistem da atividade que mais gostam de fazer: “basta chamar a turma de amigos e colocar o aparelho de som para tocar”.
A explicação para tanta energia e tanta vontade de dançar – muitos idosos dançam sem parar do início ao fim do baile – é dada por Mário Jorge, em matéria especial para a revista Espaço Aberto, publicação mensal da Universidade de São Paulo: “houve uma época em que o cidadão passava a vida inteira trabalhando, trabalhando, e quando se aposentava, tudo o que ele queria mesmo era descansar. Passar o dia relaxando em casa, sem ter de cumprir com obrigações ou seguir horários. A palavra de ordem era descanso. Mas o que vem acontecendo ultimamente no segmento da terceira idade é uma sensível mudança de comportamento, de um aposentado inerte e passivo para um cidadão mais atuante. É um conceito que os profissionais de saúde costumam chamar de “envelhecimento ativo”.
Jassyra Guimarães, 74 anos, por exemplo, não gosta de ficar parada. Aposentada, Jassyra freqüenta o Centro de Saúde pelo menos duas vezes por semana para praticar atividade física. Além de cuidar da saúde, Jassyra acaba fortalecendo o relacionamento social com um grupo de pessoas tão animado quanto ela. Entre outros programas do grupo, estão, é claro, os bailes da terceira idade.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil está perto de se tornar um com predominância de idosos. Tal perspectiva é gerada a partir do momento em que taxa de natalidade (número de nascimentos por ano) cai e a expectativa média de vida aumenta. Estima-se que em 2050 a expectativa média de vida subira para 81 anos. Segundo a previsão dos especialistas, o Brasil, em duas décadas poderá cerca de 30 milhões de idosos.
Espera-se, portanto, que a maioria dos idosos aproveite, hoje e no futuro, dancem muito e aproveitem os benefícios físicos, sociais e psicológicos proporcionados por esta atividade.
Fontes:
O Estado de S. Paulo - 01/10/02
Espaço Aberto - USP - Janeiro/2005
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