Está provado que o ato de comer significa muito mais do que ingerir alimentos. Ainda que se diga por aí que comer é simplesmente matar a fome, tudo nos leva a crer que comer é um ato de prazer. Afinal, mais do que ingerir mantimentos saudáveis, o ser humano está atrás de alimentos que agradem ao paladar.
Comer é uma felicidade. A refeição é o momento no qual os membros das famílias deixam para segundo plano seus afazeres individuais e sentam-se à mesa. É neste rito, que, para a sorte de muitos se repete diariamente ou semanalmente, que a conversa é colocada em dia.
Aproveita-se também para rir, mas também para conversar sério. Quantos bons conselhos não são dados à mesa! Comer em família é, antes de tudo, sentir a paz e o conforto de estar ao lado de pessoas especiais que querem o nosso bem.
Você já parou para prestar atenção na alegria que paira no ambiente quando estão reunidos seus avós, tios, primos, irmãos? A verdade é que nesses momentos a comida ganha um sabor especial.
Não é a toa que cada um de nós tem um prato predileto. Também não é a toa que, geralmente, esse prato está relacionado a uma pessoa querida, a qual você sabe que prepara esta refeição com cuidado e carinho. Embora seja um condimento encontrado em qualquer lugar, o carinho parece ser um tempero principal no preparo das refeições.
O escritor Rubem Alves adverte: “comer é ser enfeitiçado”. Referindo-se ao filme Festa de Babette, o autor conta que, na trama, a artista Babette conhecia os segredos de produzir alegria pela comida: “Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças...”. |